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Não floresça antes de eu voltar


Episódio 7 – Sou Dani Lourenço, escritora e coach de mulheres. Recebi a nobre missão de contar as histórias de 12 mulheres sensacionais que são sobreviventes de situações adversas e desafiadoras, na perspectiva da partilha! Quando essas vencedoras compartilham suas histórias, inspiram-nos a vencermos nossos próprios desafios! São exemplos de coragem, resiliência e certamente de muitas bênçãos que nos ensinam sobre viver em meios às adversidades! Com vocês, a sétima história de Marize Aguiar!

Não floresça antes de eu voltar

Marize é aquele tipo de pessoa que você simpatiza na hora! Olhos brilhantes, sorriso farto e uma fala franca.Explico como será a nossa entrevista e peço entrega! E ela ampliou meu entendimento sobre entrega…Ela fez mais do que simplesmente contar sua história! Ela me entregou um pedacinho de sua alma por meio da sua narrativa… Foi um movimento lindo demais!Ela despiu-se de preconceitos, abandonou o medo do julgamento e abriu a porta de seu coração para cada uma de nós, suas irmãs de gênero!Conheça a história dessa mulher borboleta!

Fase Ovo

Marize era moça simples, de família. Daquelas para casar, sabe como?Conheceu o ex-marido, que aqui será chamado de Criatura, para efeitos literários e por respeito a privacidade do mesmo, na comunidade onde residia.Moço bom e respeitador que a engravidou aos 17 anos, logo nos primeiros meses de relacionamento… Casada as pressas por exigência do sogro que orientou o filho a “reparar o erro”, Marize não imaginava a vida que a esperava…Tal qual a primeira fase da vida de uma borboleta, na condição de ovo, imaginava uma vida feliz ao lado do homem amado com seu lindo rebento coroando aquela família feliz. Cheia de sonhos e planos, considerou seriamente a possibilidade de ser feliz!Mas, só que não.A Criatura aos poucos foi se revelando. Grosseiro, arredio, ciumento… Era “intenso”… A opinião dela era nada, uma burra sem estudos.Trabalhar fora? Nunca! Mulher de Criatura fica em casa cuidando dos filhos.Ler? Para que se abobar com aquelas letrinhas?Pais? Acabaram-se! Família era só ele.Medo!Humilhações!Dor!Culpa!Marize relatou que, no começo, estranhava muito tudo aquilo e se dispôs a conversar com as pessoas, em busca de orientação e apoio, já que ela era tão nova!E o que ouviu, principalmente de outras mulheres, era que ela tinha que agradecer! (nessa hora meu queixo caiu!)

Agradecer que ele colocava comida na mesa! Agradecer porque ele não batia nela!Agradecer por ele ser um bom pai!Mas ela passava fome e era espancada quase todos os dias! Tinha fome de amor, de afeto e de respeito! As humilhações verbais eram socos no estômago.A vergonha e a culpa fizeram morada no seu coração.

𝙁𝙖𝙨𝙚 𝙡𝙖𝙜𝙖𝙧𝙩𝙖

Dez anos se passaram e nova gravidez se fez! Feliz pela chegada da sua menininha, Marize acreditou que aquele presente de Deus poderia ser um marco na vida do casal, símbolo de novos tempos.Foram novos tempos de fato, mas piores em relação aos demais.Cada vez mais agressivo e violento, a Criatura seguia atormentando seus dias.A gravidez caminhava saudável. Marize contava as horas para ver o rostinho de sua bebezinha.Era noite de Natal. A Criatura bebeu.Chegou alguém no portão da casa. Criatura saiu para atender e logo começaram os gritos. Marize assustada, foi de encontro ao marido!Nesta hora, ele sacou uma arma e ameaçou o visitante.Ela quedou-se ao chão pela forte crise nervosa que a acometeu.Hospitalizada, ganhou Gisele um mês antes do previsto…Tal qual uma lagarta, ela seguiu letárgica! Paralisada pelo medo! O único alimento e alento que mantinham a mulher lagarta viva eram os filhos amados, criados ali, agarradinhos naquela mãe dedicada!

Fase Pupa

Marize foi acreditando que a vida era assim mesmo. Foi se ensimesmando.Foi se encolhendo. Até que virou uma pupa, solitária e escondida do mundo.Ele brigava e ela pedia desculpas sem nem imaginar o que tinha feito.Como ele ordenou, não foi a festa de 50 anos da mãe.Não tentava conversar com ele porque ela o incomodava.Ele fora o primeiro e único homem de sua vida, mas foi ela que teve que explicar para a Criatura como havia contraído uma DST.Conheceu o significado das palavras: traição, violência psicológica, constrangimento, insulto, vigilância e ridicularização…Quando a dor batia forte e ela pensava em mandar tudo as favas, refletia: “Não tenho dinheiro! Não tenho estudo! Não sei fazer nada! Não tenho como sobreviver!”Ela olhava os filhos felizes, ao lado do pai tão parceiro e se sentia egoísta por pensar em privá-los do convívio paterno… Ele era um péssimo marido mas era um bom pai…

Fase Borboleta

Quando o Criador deposita um pequeno ovo aconchegado em bela folha verde e viscosa, Ele não vê um ovo, Ele vê a borboleta plena, bailando pelo ar!E Ele sabia que Marize nasceu para voar!Uma conversa com a mãe foi decisiva! Encorajada pela fala amorosa da genitora e impulsionada por uma força extraordinária, deu seu grito de liberdade!Decidiu se separar! O filho mais velho, já maior de idade, estava encaminhado. Precisava conversar com a pequena Gi, que na época tinha onze anos!Explicou de modo franco para a filha toda a situação, ponderando inclusive as perdas financeiras que, certamente ocorreriam!A filha abraçou-a, assegurando que só queria ver a mãe feliz! E saíram juntas daquela prisão.Quando finalmente passou pelo portão da casa, virou-se para trás com quem quisesse se despedir. Olhou demoradamente para cada janela, para a porta e para o jardim! Naquele momento sentiu um certo pesar. As sementes de jasmim brotara., mas ainda não haviam florescido… E ela amava o cheiro do jasmim. Antes de ir, falou em voz alta: 𝓞 𝓯𝓵𝓸𝓻𝔃𝓲𝓷𝓱𝓪! 𝓝𝓪𝓸 𝓯𝓵𝓸𝓻𝓮𝓼𝓬𝓮 𝓷𝓪𝓸! 𝓔𝓼𝓹𝓮𝓻𝓪 𝓺𝓾𝓮 𝓾𝓶 𝓭𝓲𝓪 𝓮𝓾 𝓿𝓸𝓾 𝓿𝓸𝓵𝓽𝓪𝓻!Arrumou um emprego, alugou uma casinha e foi experimentar a liberdade tal qual uma borboleta nova, recém-liberta da pupa, iniciando seu primeiro voo solo.

Testes

As borboletas logo que rompem a pupa, fazem pequenos voos. Uma espécie de treino…Reconhecem a potência das asas, testam as antenas, aprendem sobre equilíbrio e experimentam o prazer da liberdade, desejando nunca mais retornarem à“prisão” da pupa.Aprendem também como sobreviver aos perrengues: a chuva que pesa nas asas, os ventos fortes que as arremessam para longe e os predadores naturais.Pequenos testes da Mãe Vida, que asseguram que as lições tenham sido de fato aprendidas…E com a borboleta Marize, não foi diferente… Os testes também vieram!A separação não foi nada amigável! A Criatura ameaçou se matar! Depois ameaçou matá-la! Disse nos tribunais que tinha dúvida da paternidade para não pagar a pensão e ficou perseguindo a ex-esposa até a expedição de uma medida protetiva. Teve duas tromboses, ficou dias hospitalizada, teve medo de morrer, tirou a safena…Mas, foi aprovada com louvor nas provas que o Universo mandou. Foi aprovada porque foi resiliente e porque escolheu perdoar. O perdão libertou-a! O perdão fortaleceu suas asas! O perdão curou seu coração!

Borboleta Adulta

Quando a borboleta sobrevive aos primeiros dias, dias de testes, ela está apta a alçar voos mais longos e ganhar o mundo!Assim como Marize! Optou por trabalhar com diarista, concluiu o ensino fundamental e médio, seguiu ajudando outras mulheres, realizou trabalhos sociais e encontrou um novo amor!Segue borboleteando e sonhando por ai! (E eu sei que logo teremos uma pedagoga na área! :))E nas reviravoltas que a vida dá (ou seriam reviravoos?), Marize conseguiu voltar para casa da família com a filha amada Gi.Entrou pela porta da frente, recuperando o bem familiar que estava indo a leilão por meio de seus próprios recursos financeiros. Deus escrevendo certo por linhas certas.

Florescer

Um mês depois de retornar a nova casa velha, Marize despertou sentindo um suave aroma no ar…Levantou-se da cama, seguindo o rastro daquele perfume! Ao abrir a porta da frente da casa, deparou-se com dezenas de flores de jasmim que haviam florescido. Ela não acreditou no que viu: a promessa se cumpriu! Um sinal de Deus, confirmando Seu Amor e Presença, afinal, Ele sabe que toda borboleta é ainda mais feliz em meio a um jardim florido!

Escute esta história no link: https://anchor.fm/…/Projeto-Sobre-Viver-episdio-7-elflop

Marize, que você siga borboleteando e espalhando amor por onde passa! Sua história nos ensina sobre resiliência e perdão! Sobre força e fé! Sobre vida e viver! Gratidão! Sigo contigo no amor, Dani.

Serviço:

Texto: Danielle Lourenço Hoepfner | Fotografia: Lucy Lima Fotografia | Look: @Confraria StoreBeauty: Atelliê Crystal

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