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Entrelinhas de Mulher

Lipe e a teoria do supermercado


A vida da gente pode ser comparada a uma maratona de milhares de metros, não? De manhã até a noite, vivemos momentos de atletas de multiathlon (porque triathlon é fichinha!).

Somos praticantes de Le Parkour, pulando cedo para preparar a primeira refeição do dia, chegarmos na escola do filho e trabalho em tempo hábil, corredoras que passam o bastão para nossos companheiros, pais e parceiras que nos auxiliam nas atividades cotidianas e nadadoras, dando braçadas pra lá e para cá para resolvermos as demandas do dia a dia. Ciclistas que pedalam em meio ao trânsito da vida, malabaristas que se equilibram entre multifunções, jogadoras de futebol super ágeis que batem o escanteio e ainda cabeceiam quando necessário! Tempo livre? Raridade!

Por este motivo, sempre busquei envolver meus filhos em tudo e aproveitar cada minutinho que podíamos desfrutar juntos. Eles sempre estavam comigo em tudo, no amor e na dor, no cinema e no mercado até que novas etapas de vida nos separassem temporariamente.

Minha filha mais velha já bateu as asinhas e mora fora de casa, fazendo universidade longe daqui. Um misto de orgulho e saudade com o qual ainda estou aprendendo a lidar.

Lipe, mais novo, ainda está pertinho e é muito companheiro. Mas, apesar de ser um superparceiro, ele sempre detestou ir ao supermercado. Desde pequeno tinha ojeriza a experiência de prateleiras e carrinhos lotados.

Uma bela tarde, depois da escola a caminho de casa, decretei a sentença: “Lipe, hoje é dia de mercado!” e imediatamente o “bico” se fez. “Deixe-me em casa, por favor mãe!” ele implorou. Sacudi a cabeça negativamente. Ele tentou outra saída: “-Vamos amanhã então, please!”.

Pensei cá com meus botões, como eu poderia aproveitar aquela oportunidade para ensinar algo sobre a vida, afinal, hoje era o mercado, amanhã seria a tarefa da escola e depois exigências profissionais… Difícil a gente fazer só o que quer ou gosta, não?

Pensei em ensinar sobre a questão da obrigação x diversão, que nem sempre fazemos o que gostamos, que fazemos muito tempo o que não gostamos antes de fazermos o que gostamos, mas acabei ampliando os saberes: abordei a temática da felicidade, criando a tal “teoria do supermercado”.

Apresentei-a ao Lipe: “Filho, hoje vou te explicar a teoria do supermercado. Você já tem 8 anos e consegue entender bem as coisas. Você vai comigo ao mercado de qualquer jeito, certo? Existem duas alternativas: pode ir de bico, resmungando e cada minutinho lá dentro será interminável ou pode aceitar, achar um motivo legal para aproveitar o momento e agradecer por isso. Por exemplo: já que vou ao mercado, vou comprar um lanche bem gostoso para levar à escola amanhã. Oba!”

Ele se animou, o tempo que passamos lá fluiu bem e depois, nestes 5 anos que se já passaram, conseguimos aplicá-la em muitas outras situações.

Todos os dias, ao despertar vivemos a “teoria do supermercado”. Você pode resmungar por ter que acordar cedo ou lembrar que vai fazer uma coisa bem bacana! Você pode reclamar de ter que fazer café “pra todo mundo” ou agradecer porque tem uma família para cuidar! Você pode berrar que tem que ir trabalhar ou planejar o seu dia com ânimo e vigor! Você pode rezingar blasfêmias sobre o caos do trânsito ou aproveitar para curtir sua playlist sossegadamente!

Você pode reclamar, reclamar, reclamar ou agradecer, agradecer, agradecer! Basta perceber que a felicidade, é mais do que fazer tudo o que se gosta, mas sim gostar de tudo que se faz! É mais do que ter tudo o que se almeja, mas valorizar aquilo que se tem!

A felicidade é uma escolha diária!

E eu espero que você escolha, todos os dias, ser feliz!

Um beijo,

Dani

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