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Entrelinhas de Mulher

Por que colocar a calcinha para dentro da calça?


Por que colocar a calcinha para dentro da calça?

Desde que me entendo por gente eu escrevo. Escrevo para compartilhar ideias, para me entender, desabafar, comemorar, celebrar, registrar momentos felizes… ou seja, tudo é motivo para brincar com as letras.

Assim já fiz diários, agendas cheias de figurinhas coladas, livros infantis, coleções didáticas, orientações de tecnologia responsável até que em 2016 comecei a escrever como colunista, cronista, contadora de histórias… um lado B do meu disco, que eu sequer sabia que existia… uma escrita mais de alma do que corpo, mais afetiva do que técnica, mais de Dani do que de Dani Lourenço.

E dessa descoberta, nasceu um livro, intitulado “Amiga, coloque a calcinha para dentro da calça e outras conversas”, que é o melhor de mim em formato de linhas!

Eu sei que o título é inusitado e incomum… Talvez por este motivo tanta gente me pergunte o porquê dessa história de calcinha (risos).

O post de hoje republica a crônica que foi a de maior sucesso dentre todas que já escrevi, motivo pelo qual batizou minha obra, compartilhando contigo o tal porquê!

Além disso, quero te convidar para conhecer um pouco mais do meu trabalho! Se você quer conhecer mais alguns textos desse livro, envie um e-mail para: [email protected] com o título “Quero ler o livro”. Nós te enviaremos um “mini-livro” em pdf com textos afetuosos e conversas incríveis, que falam de coração para coração! E você pode curtir, também a minha página do Facebook – Entrelinhas de Mulher!

Amiga, coloque a calcinha para dentro da calça

Ilustração: Maureen Miranda

Conversando com uma amiga, percebi o grau de sua ansiedade pela forma acelerada com que falava comigo ao telefone. Doeu o meu coração ao ouvi-la recriminar a si mesma porque não conseguiria dar conta de entregar as doações que havíamos combinado. Ela prosseguiu – desfilando – com as dezenas de tarefas e atividades que percorriam as passarelas de sua agenda, e após este desabafo, só me restou dizer: “amiga, coloque a calcinha para dentro da calça!”

Rimos muito de meu pedido – tão emblemático! – que necessitava ser esclarecido. Explico: quem usa calcinha para fora da calça é a Mulher Maravilha. Uma heroína forte e destemida, cujo destino é salvar o mundo! Ela tem a força de Hércules, a sabedoria de Atena, a beleza de Afrodite e a velocidade de Hermes.

A questão é que me parece que grande parte das mulheres anda se travestindo de Mulher Maravilha: tentando realizar inúmeras tarefas hercúleas no mesmo dia, e numa velocidade que deixaria Hermes perplexo: levantam cedo, fazem café, educam os filhos rogando pela paciência de Jó e pela sabedoria de Atena; colocam-se lindas como Afrodites, trabalham, fazem academia. No caso de serem casadas organizam também a vida do marido, levam os pais ao médico, abraçam causas sociais, fazem cursos de aperfeiçoamento, inglês, fazem dieta…!

E na sua condição de humanas – não de semideusas ou heroínas -, chegam ao final do dia exaustas, com a impressão de terem falhado em alguma coisa. E quando se percebem falhando, culpam-se. E culpando-se, entristecem. Resilientes, pensam que vão se superar e que amanhã será um novo dia. Com essa motivação, na manhã seguinte, começam tudo de novo!

Porém, ao decidirmos colocar nossas calcinhas para dentro de nossas calças e saias, temos a chance de assumir a nossa doce condição de reles mortais. E aí, minha gente, fica mais suave!

Podemos perder a hora uma vez ou outra. Podemos ir tomar um café na “pani”, só para dar uma variada! Podemos falhar com nossos filhos, mostrando que não somos perfeitas e como consequência, eles compreenderão que não precisam ser perfeitos também!

Podemos trabalhar com mais serenidade, conscientes de que atrasar algumas entregas ocasionalmente pode acontecer. Podemos fazer atividades físicas e dietas almejando saúde e bem-estar, não pela ditadura nazista do “corpo perfeito”. Podemos – e devemos – compartilhar afazeres com nossos companheiros, vivendo a relação em plenitude. Podemos fazer cursos e nos envolver em causas sociais, desde que isso seja uma alegria e não um fardo.

Somos capazes de feitos brilhantes, mas também temos o direito de errar, esquecer, dizer não, sentir preguiça, não usar maquiagem, viver um dia de gulodice e outras “falhas” humanas! Por isso, liberte-se dessa samsara interior que oprime e aprisiona! Aceite – e delicie-se! – em sua condição de aluna mortal na escola da vida!

Realize suas atividades com mais tranquilidade e menos cobranças!

Encontre um tempo na sua atribulada agenda para cuidar de você e realizar ao menos uma atividade que te dê prazer e alegria!

O nosso maior compromisso deve ser com a felicidade e paz, não com o sucesso e a perfeição!

Então, por favor, minha nova amiga, coloque sua calcinha para dentro da calça e seja mais leve e feliz!

(LOURENÇO. Danielle. “Amiga coloque a calcinha para dentro da calça e outras conversas”. Páginas 85-86)

Espero você!

Com carinho,

Dani

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