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Entrelinhas de Mulher

Quem planta, colhe!


Quem planta, colhe!

Sr. João era agricultor. Trabalhava desde que suas mãos puderam carregar uma enxada e tudo o que tinha era fruto do suor do seu trabalho. Homem simples e sábio, tivera formação primorosa: a escola da vida. Era casado com a querida Dona Maria, e juntos, construíram uma família e uma história cheia de amor e alegrias. Tiveram três filhos: Pedro, Paulo e Lucas.

Se a existência de cada ser humano pudesse ser comparada a um livro, cada ano seria um capítulo de 365 parágrafos. Como em uma grande e volumosa biblioteca, haveriam livros de comédia, tragédia, crônicas, contos de fadas e muita, mas muita história bonita e cheia de ensinamentos de amor e superação! No capítulo 65, a vida de João deu uma guinada. Sabe aquelas surpresas que deixam o leitor sem ar e que promovem a mais louca das reviravoltas na narrativa?

João não entendia como as páginas do livro de sua vida foram escritas tão velozmente… O tempo, na verdade, é como um beija flor… Lépido e fagueiro… voa com muita agilidade e rapidez. E João só se apercebeu disso quando viu Dona Maria caída no chão da cozinha, com a mão no peito. Parece que havia sido ontem que tinha se enamorado pelo olhar doce daquela morena… E agora ela estava ali, desacordada…
Não deu tempo de acudir, nem de salvá-la… E daquele instante em diante, foram escritas linhas e linhas de lágrimas e saudades. De juras de amor eterno e resoluções de vida nova. Ele lamentou profundamente que sua “nega” tivesse ido na frente, sem realizar tudinho que sonharam juntos. Mas, decidiu colocar, um por um dos projetos em prática, conforme houvera combinado previamente com ela.

O amor quando é de verdade, é algo espetacular. Eleva, edifica e liberta! Eles tinham um combinado há anos: se um dos dois virasse estrelinha, o “retardatário” seguiria em frente, esforçando-se para ser o mais feliz possível porque tinha que ser feliz por dois.

João tinha uma generosa e produtiva porção de terra. Se fosse vista de cima, seria um “L”. Negociou a parte grande e conservou a pequena casa que era circundada, desde então, por 3 lotes. Após os trâmites legais, chamou os filhos para uma necessária conversa. Abraçou os meninos, disse que os amava muito, que estava lúcido e que gostaria de comunicar algumas decisões irrevogáveis. A esta altura, os três filhos, entreolharam-se, entre ressabiados e preocupados.

João então contou sobre o pacto de vida que fizera com Maria, sobre o sonho de conhecer o “mundão de meu Deus”, sobre a negociação das terras e sobre o lote que cabia a cada um.
Disse que partiria na manhã seguinte para uma longa viagem e que desejava toda sorte do mundo aos filhos. Que ele sabia que cada um, ao seu modo, teria perfeita condições de ser feliz.

Pedro e Lucas imediatamente abraçaram o pai e desejaram boa viagem! Agradeceram por tudo que ele havia feito até ali e asseguraram que estariam bem. Paulo, com a cara amarrada, perguntou como seria a divisão dos lucros da colheita daquele ano.
João explicou que a parte verde da fazenda havia sido negociada e que assim, os lucros já seriam do novo proprietário e que os três lotes estavam prontos para aquele reinício.
Paulo espumou de raiva! Como assim? Ele trabalhara duro, de sol a sol para que o verde estivesse tão verde e o pai sequer o havia consultado! Ele tinha direito a uma parte daquilo tudo!
O pai ouviu tudo com paciência e respondeu que sim, que a parte dele era exatamente o lote que lhe fora entregue e que todas as questões legais já haviam sido resolvidas antes mesmo da partida da mãe.
Paulo saiu pisando duro. João foi em busca dos seus sonhos de coração leve e alma molinha e morna.

O beija flor voou, escrevendo novos parágrafos…

Pedro iniciou sua lida. Começou plantando alfaces em pequena parte do terreno para ter algo em mãos para negociar o mais rápido possível e levantar recursos financeiros. Queria plantar soja, que apesar de ser mais demorada para colher, era mais valiosa.
Lucas foi em busca de um trabalho paralelo para custear a compra de sementes de milho. Sabia que assim que conseguisse a primeira leva de sementes, teria uma generosa colheita entre dois e três meses. Paulo ficou paralisado de ódio. Sequer foi olhar seu novo lote. Ficou semeando ódio e colhendo rancor em seu coração.

As horas deram as mãos e se transformaram em dias, que foram cirandar e formaram semanas. Pedro iniciou sua primeira colheita de alfaces e se preparava para semear o ouro verde! Lucas, conseguiu as sementes de milho e aguardava as semanas se abraçarem para virarem meses, para enfim, realizar sua “colheita-solo”. Paulo, por sua vez, encantou-se pela dor e se enamorou da procrastinação. Um dia, não foi semear porque o rancor o consumia, depois porque o sol castigava. No outro, porque a chuva era demasiada. No outro, porque ia amanhã. E no amanhã, porque tinha depois de amanhã… e o beija-flor seguiu voando de flor em flor.

Fonte: Visual Hunt

Quando S. João voltou, meses depois, convidou os filhos para se sentarem à mesa com ele. Um homem das antigas, sabe como? Fazia questão da mesa posta, da família reunida, de prosear e fazer valer cada linha de vida… Após rápida oração em gratidão a mesa farta, começou a falar, talvez a mais bela das lições que um dia ensinara aos filhos:

“Viajar por este “mundão de meu Deus” me ensinou tanto! O mundo, meus filhos, é do tamanho que vemos! E eu via só este pedacinho de terra aqui! Nunca imaginei o tanto de belezura que Deus desenhou por aí. Cada flor, cada planta, cada pessoa… uma mais linda que a outra. Uma diferente da outra, mas tão parecida com tudo que tenho aqui. O povo ama igual a mim. Cuida dos filhos igual a mim. Trabalha igual a mim e sonha como eu um dia sonhei! Entendi também que quanto mais longe se vai, mas perto se está de si mesmo e daquilo que é caro ao nosso coração. Nunca tive tanta certeza de que meu lugar é aqui! Nunca amei este sítio como amei “lá de longe”!
Também entendi o tamanho da minha pequenez. Tudo vive sem mim! O milho brotou, vocês estão saudáveis e a missa aconteceu a cada domingo. O mundo não para quando eu não estou por perto! Eu é que preciso agradecer a Deus por estar no mundo para ver o milho nascer, acompanhar a vida de vocês e estar com Ele, aos domingos, na comunhão!
Eu descobri a diferença de preço e de valor meus meninos! Eu tinha muito dinheiro comigo, mas nem que eu tivesse 100 mil vezes mais, eu conseguiria ter minha “nega” comigo para ver o que eu vi, para viver o que eu vivi! E mesmo que vocês digam que eu já sabia disso, eu adianto… eu sabia, mas nunca tinha sentido isso! Senti na pele o valor da vida, meus meninos!

Viajar é como dizem, troca a roupa da alma, mas de verdade… minha alma gosta mesmo é de calça velha e botina gasta. O melhor lugar do mundo é a casa da gente meus meninos!”

Nesta hora, Pedro interrompeu o pai: “quanta boniteza meu pai! Mas estou curioso para saber o que vai falar sobre nós! Eu sei que você já viu os lotes!”.

O semblante do pai, sereno, era a face da compreensão quando respondeu:

“Filho do meu coração! Na idade de vocês, um pai e uma mãe são apenas um porto seguro. O que eu tinha para ensinar, eu ensinei. E o que vocês não aprenderam comigo pelo amor, a vida, vai ensinar pela dor!
Tem gente que faz como você Pedro, começa com plantações pequenas para poder subsistir até conseguir chegar nas sementes douradas. Começam do pequeno para chegar no grande. Outros são como Lucas, fazem projetos de médio prazo, com determinação e garra. Sabem onde querem chegar! E há muitos Paulos por aí, que cheios de desculpas e senões, não semeiam nada e assim, nada colherão!
A lei da vida é clara: a colheita é obrigatória, a semeadura opcional. Quem não está colhendo, é porque ainda está plantando. E quem não está plantando deveria saber que não vai colher. Simples assim.
A minha negociação foi um arrendamento temporário! A partir de amanhã, retomo as minhas atividades. Pedro e Lucas, continuem com o que começaram! Paulo, amanhã você pode fazer tudo diferente! A decisão é sua!

A vida é mãe e não “madrasta”*… sempre estende a mão e dá uma nova chance! Assim, sempre é tempo de aprender, de mudar, de se transformar e transformar os sonhos em realidade! Todo agricultor é antes de tudo um sonhador! Ele olha a semente e vê uma dourada espiga de milho!

Fonte: Visual Hunt

Bora lá meus meninos, juntos, semear para poder colher!”.

Meninas queridas,
Amanhã, cada uma de nós, recebe um “lote” novinho em folha! Faça sua lista de sonhos e semeie com fé e esperança! Se você já vem semeando, aguarde, a colheita não tarda!
Ano novo, sonhos novos, realizações novas!

*as boasdrastas que me perdoem pela licença poética!😍

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